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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Suspeita de fraude arqueológica



Uma equipe de exploradores chineses e turcos surpreendeu a comunidade internacional na semana passada anunciando a descoberta da arca de Noé. Como revelado pelos organizadores da expedição, a arca estaria nas proximidades do Monte Ararat, na Turquia, mas, por motivos de segurança, a localização exata não foi revelada. A escassez de provas, no entanto, levanta dúvidas sobre a conclusão do fato que foi anunciado dezenas de vezes ao longo dos últimos 150 anos. Anúncios que eventualmente exigem cautela para se ter a confirmação. De acordo com arqueólogos, os restos encontrados datam de cerca de 4.800 anos e poderiam ser a arca.
 "Não é cem por cento garantido que é a arca, mas achamos que é de 99,9%", disse Ahmet Ozbek, o geólogo da Turquia, para quem as baixas temperaturas e condições ambientais ajudaram a preservar os vestígios.

A estrutura encontrada é feita de madeira de cipreste. Exploradores enfatizaram o bom estado de conservação do barco, e até mostraram uma foto de um dos prováveis compartimentos.

"A estrutura do barco tem muitos compartimentos e pode-se dizer que são os espaços em que os animais foram acomodados".

Eles disseram que os testes realizados com carbono 14 datam os restos em torno de 2800 aC, o que coincide com a data calculada a partir do relato bíblico.

A expedição foi conduzida e financiada pelo Ministério da Arca de Noé International, um grupo evangélico com sede em Hong Kong, China. Dada a importância da Arca de Noé como uma relíquia, há poucas expedições arqueológicas, pois o Governo turco não libera facilmente a entrada na área do Monte Ararat.

Ali as condições são muito difíceis: até recentemente era uma zona militar restrita, aonde operava a guerrilha curda PKK, que sequestrou há alguns anos um grupo de turistas estrangeiros que escalou o Ararat. Para isto é preciso acrescentar o frio extremo e a temporada de neve, que se estende durante quase todo o ano.

"Aqui nós temos nove meses de inverno", dizem os moradores.

A descoberta foi saudada com alegria nas proximidades do Monte Ararat. Moradores esperam aproveitar o chamado turismo religioso, um dos que mais tem atraído visitantes no mundo.

"É a oitava maravilha do mundo. Esperamos uma explosão de turismo religioso, o que pode ser o caminho para resolver os problemas do desemprego na nossa região ", disse o prefeito Hasan Arslan.

No entanto, a comunidade científica duvida da veracidade do achado. Necmi Karula, professor de arqueologia na Universidade de Istambul, na Turquia, argumenta que "o Monte Ararat não foi coberto pela água 4.800 anos atrás e a história da arca de Noé só repousa sobre os interesses do turismo". Acrescentou que, para ser preservada, a madeira antiga deveria ter sido mantida em ambiente sem oxigênio, o que não é o caso.

Porém, as críticas também vieram de ex-empregados da Arca de Noé Ministérios International (NAMI). Randall Price, arqueólogo evangélico, que participou de uma expedição realizada em 2008, em uma carta aos seus colegas diz que "recebi fotos do que eles dizem agora ser a parte interna da arca". Price denuncia uma fraude, "construída com fotografias tiradas" em um lugar perto do Mar Negro.

No site da organização (www.noahsarksearch.net) podem ser vistos vários documentos sobre a descoberta. Entre eles, um vídeo de quase três minutos que os exploradores mostram vigas e paredes de madeira em uma caverna em que o gelo também é abundante.

Tradução e adaptação: Milton Alves
Fonte: El Mundo, ABC, La Voz de Galicia, Globo curdo